sábado, 15 de setembro de 2012

Capítulo 4

IV
4 de março de 2011 (parte 1)
Olhámos umas para as outras e engolimos em seco.
Izzy: Tens a porta fechada?!
Fui a correr para a cozinha e atrás de mim vinham todas as raparigas a correr.
Georgia: Está aberta!
Fechei-a rapidamente e olhei para elas, engoli novamente em seco. Corri para a outra porta, fechei-a e juntamente com ela as janelas.
Vicky: Achas que alguém entrou?!
Giovanna: Vamos subir e ver…
Tânia: Levem isto! (peguei rapidamente nas facas que se encontravam no faqueiro) Levem!
Giovanna: Achas que é necessário?!
Tânia: E tu?! Achas que é necessário?!
Nenhuma respondeu, a Georgia aproximou-se de mim e pegou numa nas facas.
Georgia: Vamos lá acabar com isto.
Começamos a subir silenciosamente. Ninguém sabia com o que estávamos a lidar, tínhamos todas medo do que poderíamos encontrar ao subir as escadas, o que nos podia acontecer.
Cada passo que dávamos soava um som diferente na madeira, agarrávamos com mais força as facas, como se fossem elas a nossa salvação. Parecia um filme de terror. Algumas janelas estavam abertas e as cortinas dançavam ao som do vento. As nossas mãos tremiam, acabava por parecer estranho estrarmos na minha própria casa com facas na mão, e isso deixava-nos ainda mais nervosas.
Izzy: Não é melhor chamar-mos a polícia?
Tânia: E quando chamar-mos?! O que dizemos?!
Continuámos a caminhar pelo chão de madeira, as tábuas no chão continuavam a fazer barulho que ecoava pela casa inteira. Fomos abrindo as portas enquanto fazíamos uma pequena revisão a casa divisão do andar de cima.
Carrie: Não está cá ninguém!
Finalmente o batimento do meu coração abrandou, deixei o braço encostar-se às pernas e senti o frio d faca. O nosso olhar acalmou-se e, lentamente, fomos descendo para a sala.
A Georgia foi-se a aproximando de mim com aquele olhar desconfiado.
Georgia: O que é que vamos fazer com ela?!
Tânia: Não sei.
Georgia: Vou fazer queixa dela à polícia!
Tânia: Não! Não temos a certeza se foi ela e para além disso precisamos dela, só ela é que nos pode dar as respostas!
Georgia: Sim, e no fim mata-nos!
Tânia: Não! Claro que não! Vamos decidir o que fazer com ela, mas todas juntas.
Chegámos à sala e instalamo-nos nos sofás vazios. Estávamos mais calmas, já tínhamos pousado as facas e agora o nosso olhar já só caia sobre a Sharon.
Georgia: Porque é que a matas-te!
Tânia: Calma Georgia!
Sharon: Eu não matei ninguém!
Tânia: Nós fartamo-nos de procurar-te! Nunca mais ouvimos falar de ti!
Sharon: Vocês sabiam que era o meu último dia em Portugal e Londres. Foi na noite dos meus anos para a África.
Giovanna: Quando é que chegas-te?
Sharon: Há cerca de uma semana.
Tânia: Porque é que nunca vieste ter connosco?
Sharon: Porque vos queria fazer uma surpresa, percebi o quando fui estupida e mimada por não ter voltado a falar com vocês, mas estava, de uma certa forma, revoltada e chateada. Mas quando finalmente resolvi ir ter com vocês, comecei a receber umas mensagens estranhas. Reparei que se estava a passar alguma coisa, até mesmo em minha casa, notava coisas diferentes, então, antes de ir ter com vocês resolvi investigar primeiro sozinha. Como sabia que a Dona Mary tinha a minha chave de casa, resolvi ir lá para saber se ela tinha ido a minha casa ultimamente…
Georgia: Então resolves-te ir lá e mata-la!
Sharon: Não, claro que não! Fui lá algumas vezes durante o dia, mas nunca a encontrei, então resolvi ir lá à noite. Quando me aproximei da porta para entrar senti uma pancada na cabeça e fiquei inconsciente, acordei no meu carro.
Carrie: Estás a dizer que alguém te atacou e que te voltaram a pôr no carro?!
Sharon: Sim.
Giovanna: Como é que é possível?! Quem é que te atacou?!
Sharon: Não sei, não consegui ver nada. Quando acordei e fiquei consciente, tive medo e fui para casa.
Georgia: Não te ocorreu que a pudessem ter magoado?!
Sharon: Sei lá! Naquele momento só queria fugir, tinham-se batido, achas que ia voltar atrás?!
Não obteve resposta de nenhuma das raparigas. O silêncio pairava na sala, que der repente transformou-se numa sala de interrogatórios onde no centro do teto só estava uma lâmpada a tremelicar.
Sharon: Comecei a perceber que não era nenhuma brincadeira e que estava a lidar com pessoas violentas, então chamei o meu namorado para me acompanhar, e foi assim que vos encontrei.
Estávamos todas a olhar para ela como se nunca a tivéssemos visto. Estávamos cansadas, olhei para o relógio sobre um dos móveis da sala e marcava 1:07h.
Tânia: É tarde. Meninas, vão buscar qualquer coisa à cozinha para comer, estejam à vontade e ponham-se confortáveis. Vou lá a cima tomar um ducho rápido.
Subi e fui tomar banho. Sabia-me bem sentir os pingos do chuveiro a escorregarem-me pelas costas. Vesti uma roupa simples e confortável. Fui até ao guarda joias para por uns brincos pequenos quando me deparo com o fio. Desci as escadas a toda a velocidade e fui para a sala, onde elas estavam com montes de comida sobre a pequena mesa.
Tânia: Alguém chegou a entrar dentro de casa!
Vicky: O quê?!
Tânia: O meu fio estava no guarda joias!
Vicky: Isso é bom…
Tânia: Não, porque à pouco, antes de sair-mos para casa da Dona Mary, o fio não estava lá!
Georgia: Foste tu! Assim que chegas-te colocaste-o lá em cima! Admite Sharon!
Sharon: Como é que fui eu se estive sempre aqui amarrada?!
Giovanna: Calma! As duas! Tânia, tinhas a certeza de que ele não estava lá?
Tânia: Sim, foi por isso que fomos a casa da Dona Mary.
Giovanna: Então alguém entrou, mas já não está cá, não está cá ninguém. (a Giovanna era a única que nos conseguia acalmar) Estamos todas cansadas, vamos comer qualquer coisa e ficamos todas por aqui.
Começamos a abrir os pacotes de batatas fritas e os sumos. O som da nossa boca a mastigar as batatas abafou qualquer som existente na rua.
Tânia: Nós tentámos contactar-te… (dirigi-me à Sharon)
Sharon: Eu sei. Mas nessa altura eu não queria falar com vocês…
Carrie: Porquê?! Deixaste-nos preocupadas!
Sharon: Porque vocês sabiam que era a minha última noite em Portugal e não foram capazes de fazer nada!
Georgia: Nada?! Nós preparámos-te uma surpresa!
Sharon: Que surpresa! Passei a noite do meu aniversário sozinha…
Georgia: Sozinha?! Como?! Nós fomos-te buscar e levamos-te para a surpresa!
Sharon: Não, não me parece, se eu não eu lembrava-me…
Izzy: Calma lá! Estás a dizer que não eras tu que estava connosco naquela noite?!
Sharon: Não, eu não era!
Tânia: Então quem era?!
O silêncio foi a principal arma usada naquele instante, não tínhamos uma única reação, nem os olhares se cruzavam, só o som dos telemóveis em sinfonia é que deu ambiente à sala. Fui a primeira a pegar no telemóvel, em seguida começaram ela, a medo, também a pegar. Antes de abrir-mos as mensagens, cruzamos os primeiros olhares daquela noite. Era como se já esperássemos de quem era a mensagem, só não sabíamos o seu conteúdo.
DE: sem número
MENSAGEM: “Então?! Gostaram da surpresa?! Gostaram da minha companhia naquela noite, ou preferiram a de hoje?! –SSS”
 Tânia *

sexta-feira, 31 de agosto de 2012

Capítulo 3

Olá a todos os leitores do meu pequeno blog! :D
Queria desde já agradecer por todos os comentário, muito obrigada (:
Vou partir para um pequena viagem até ao nosso país vizinho, Espanha. Vou passar uma semana a Benidorm, por isso, mesmo antes de partir, deixo-vos aqui este capítulo e, espero que gostem, assim que voltar vou tentar publicar rapidamente!
Beijinhos e um bom resto de férias (:


III
3 de março de 2011 (parte 3)

Giovanna: Não é possível…
Tânia: Como é que ela está aqui?!
Georgia: Eu vou matá-la!
Dirigimo-nos rapidamente até à Georgia para impedi-la de fazer alguma asneira da qual mais tarde se iria arrepender.
Giovanna: Calma Georgia.
Georgia: Eu disse que era ela que estava por detrás disto tudo!
Tânia: Não temos a certeza de nada.
Georgia: Não?! Então porque é que ela vos atacou?
Giovanna: Não sei, mas temos de descobrir de alguma maneira e o mais rapidamente possível., mas não vamos fazer nada de radical, não temos a certeza de nada.
Tânia: Vamos atá-la e levamo-la para a minha casa!
Giovanna: Eu acabei de dizer para não fazermos nada de radical!
Tânia: Ela também nos atou!
Georgia: E as raparigas?! Vão entrar em choque.
Giovanna: Mais tarde ou mais cedo elas tinham de descobrir, até porque alguma dela também já pode ter sido ameaçada.
Georgia: Mas agora acabou! Nós temo-la aqui! (disse, acabando de a amarrar) Vamos levá-la e esclarecer tudo!
Saímos pela mesma porta que entramos mas desta vez fechamo-la para que ninguém voltasse a entrar.
Dirigimo-nos até ao carro, parecia rude, mas colocamo-la no porta bagagens.
Georgia: Se foi ela que matou a minha avó, eu mato-a!
Giovanna: Calma, podemos descobrir tudo a partir dela.
Tânia: Trouxeste a mala dela?
Georgia: Sim, está aqui.
Pegámos na mochila e começamos a sacudi-la para ver o que estava no seu interior, finalmente caiu sobre o banco o telemóvel.
Tânia: Vê as mensagens!
Georgia: Hum… Não tem nada, só de um tal Jay…
Giovanna: E o que dizem?!
Georgia: Nada que nos ajude.
***
Tânia: Ajudem-me a tirá-la!
Abri a porta bagagens e lá estava ela, deitada sobre uns cobertores velhos, amarrada e ainda inconsciente.
Giovanna: Ora, isto é uma imagem que nunca vou conseguir tirar da minha cabeça.
Tânia: Parecemos umas criminosas…
Georgia: Se foi ela, merece!
Ficámos paralisadas a olhar para a Georgia, sabia-mos que estava a passar um mau bocado, mas estava-se a tornar fria, não parecia a menina alegre que todos conhecem.
Giovanna: Onde é que a vamos pôr?
Tânia: Na sala.
Giovanna: Na sala?!
Georgia: Claro! É para ela falar uma só vez e à frente de todas!
Carrie: Posso entrar Tânia?!
Tânia: Sim Carrie, estamos na sala.
Carrie: Boa noite… O que é que ela está aqui a fazer??
Giovanna: Ainda não sabemos…
Carrie: O que se passa?! Porquê é que ela está amarrada?!
Giovanna: Ainda não sabemos nada… Esperamos até ela acordar para lhe fazer-mos todas as perguntas.
A campainha tocou algumas vezes, anunciava a chegada de mais alguma rapariga. Dirigi-me para poder abrir a porta.
Vicky: Linda brincadeira…
Tânia: Hey! Que brincadeira?!
Vicky: A mensagem…
Tânia: Que mensagem?!
Num movimento desconfiado, puxou o telemóvel do pequeno bolso das calças justas de ganga.
Vicky: Esta… (girou o pulso para que eu pudesse ver a mensagem)
DE: sem número
MENSAGEM: “Festinha com as amiguinhas para se vingarem de mim?! Não me parece! Ainda bem que mudei os meus planos! Tem cuidado! –SSS”
Tânia: Não fui eu!
Vicky: Só a minha mãe é que sabia da festa, e ela mal sabe ligar o telemóvel quanto mais mandar uma mensagem!
Tânia: Mas é por causa desse tipo de mensagens que nos juntámos hoje…
Vicky: Mas qual tipo de mensagens?!
Tânia: Essas assim, ameaçadoras…
Vicky: Em que é que elas estão metidas Gio?! (dirigiu-se para a Giovanna porque já sabia que ela não é de brincadeiras)
Giovanna: É verdade Vicky…
Tânia: Vai andando para a sala, esperamos pela Izzy e depois eu conto-te tudo.
Vicky: Como é que ela está aqui??
As ultimas palavras foram agudas e altas o que provocou um grande eco na sala que fez com que a espécie, de prisioneira, começasse a abrir os olhos. A pouco e pouco os olhos iam abrindo cada vez mais. Estávamos todas em roda dela para ver a sua primeira reação. Quando se deparou amarrada, deu um pequeno salto e tentou soltar-se.
Vicky: Meninas, temos de a soltar!
Georgia: Não! Antes tem de nos dar algumas respostas…
Continuava a tentar soltar-se e ao mesmo tempo soltava uns grunhidos à espera que alguém a soltasse.
Vicky: Meninas…vão deixá-la assim?!
A Vicky não estava a gostar, também porque não conhecia a história toda, talvez porque ainda não tivesse passado pela mesma experiencia que eu, ou a Georgia.
Izzy: Posso?! (foi-se aproximando de onde vinham os sons) Boa noite! (olhou em volta e deparou-se com ela amarrada na sofá) Que se passa aqui?!
Tânia: Está na hora!
Esperei que se colocassem confortáveis e notava que algumas delas estavam com uns grandes pontos de interrogação na cabeça.
Tânia: vou tentar resumir, porque tudo isto é uma confusão… Todas vocês conhecem o nosso passado, pois bem, para que ele está a voltar.
Vicky: Pois, essa parte já percebemos, ela está aqui! Já agora, como é que ela apareceu aqui?
Giovanna: Tem calma Vicky! Tu recebeste uma mensagem anónima, eu, a Georgia e a Tânia também recebemos, nós acreditamos que quem nos manda essas mensagens é aqui esta menina!
Vicky: Ela?! A sério, ela?!
Ouvimo-la a fazer casa vez mais barulho. Queria tirar-lhe a cola da boca e ouvir o que tinha para dizer, mas tinha medo, tinha medo de ouvir o que ela tinha para dizer.
Georgia: Não é só mensagens… Ela mandou-me uma a ameaçar a minha avó, mas eu ignorei e no outro dia a minha avó estava… morta.
O silêncio instalou-se na sala, mesmo da parte da nossa prisioneira, não houve um único som.
Tânia: Algo se está a passar. Mas vai acabar porque temos aqui a pessoa causadora de todo este sofrimento que se prolongou demais.
Vicky: Não estou a perceber nada! Como é que a tua avó morreu, se eu tive com ela à pouco tempo?!
Georgia: Não é essa minha avó, mas sim a minha avó biológica, a empregada da Tânia.
Vicky: A Dona Mary?!
Tânia: Sim…
Izzy: Então, estão-me a dizer que ela, (e e olhou com toda a raiva para o sofá) anda a matar pessoas e o mais certo é querer matar-nos?!
Tânia: Não sabemos, mas talvez…
Desta vez deu um grito bastante grande, estava revoltada e rebolava no sofá a tentar soltar-se. A curiosidade era cada vez maior, mas havia um grande receio de ouvir as primeiras palavras que ela iria dizer, como se fossem definitivas. Olhei para as raparigas e conseguia perceber que, mesmo no meio daqueles olhares desconfiados, estavam a começar a perceber, então, resolvi soltá-la.
Sharon: Não fui eu!!
Estávamos todas a olhar para ela, ninguém dizia nada, mas não parecia que ninguém queria acreditar nela.
O som de um telemóvel espalhou-se pelo ar, logo de seguida outro, e outro, e outro, todos os nossos telemóveis tocaram, quase em sinfonia, até mesmo o da Sharon. Com grande medo começamos a carregar nas teclas e abrir as mensagens. Peguei também no telemóvel da Sharon para poder verificar qual era a sua mensagem.
Estávamos todas a olhar fixamente para os telemóveis, cruzei por instantes o meu olhar com a Sharon, notei no seu olhar medo, o mesmo medo que senti em Portugal. Finalmente estávamos todas a ler a mensagem.
DE: sem número
MENSAGEM: “Morderam o isco? Gostaram de encontrar a assassina? Quem é amigo/a! Podiam era ter convidado para a festa! Não gostei de ficar de fora, mas talvez ainda apareça! –SSS”
 Tânia * 

quinta-feira, 23 de agosto de 2012

Capítulo 3

III
3 de março de 2011 (parte 2)
Tânia: Estou?!
Não obtinha resposta do outro lado da chamada. Voltei a chamar várias vezes, mas nunca obtive resposta, nem um único som. Já estava para desligar quando oiço do outro lado um género de gravação a começar.
Giovanna: Já podes tirar a venda!
Georgia: Podes entrar nessa porta, está ai a tua surpresa!
Sharon: Hum, entrem vocês primeiro!
Giovanna: Não, tu é que és a aniversariante! Entra!
Vicky: Então! Entra! Entra!
Sharon: Não parece ser seguro…
Giovanna: Sharon, nem pareces tu! Entra!
Todas: Parabéns a…. Ahhhhhhhh!!

A chamada foi desligada antes de eu puder perguntar quem era, mesmo que tivesse tempo não era capaz de libertar nenhuma palavra da boca. Estava a suar pelas mãos e o telemóvel escapou-me por entre os dedos. Mais uma vez tinha ficado sem reação, não sabia o que fazer, agora tinha a certeza que não era preciso sentir-me insegura em relação às raparigas.
Tinha medo de voltar para casa sozinha, mas não tinha mais nenhum sitio para onde ir, liguei o carro e comecei a passear por Londres. Via as pessoas a passear pela rua, como se não tivessem problemas. À cabeça só me vinham imagens daquela noite de férias, vinha-me também a imagem daquela criança do meu sonho, não sabia o porquê, não conhecia nenhuma criança assim; pensava também no meu fio e como é que ele foi parar ás minhas mãos.
Tive de fazer uma travagem brusca para um senhor, já com a sua idade, pudesse passar à passadeira, estava tão distraída com os meus pensamentos que acabei por desligar, esqueci-me do tempo, não reparei nas horas.
Dei a volta ao carro, ganhei coragem e fui para casa almoçar. Quando entrei em casa, senti novamente uma estranheza ou uma sensação de uma outra presença na casa. Corri para o quarto para ver se faltava alguma coisa, abri gavetas, espreitei por baixo da cama e abri o guarda joias, faltava-me o colar, o colar desaparecido que apareceu na minha primeira noite em Londres.
Sentia a necessidade dentro de mim de gritar, mas contive-me e uma pergunta simbólica escapou-me por entre os lábios secos.
Tânia: Está ai alguém?
As janelas e as portas estavam fechadas, então, se alguém entrou, entrou pela porta. Sentia-me mal por pensar outra vez na Dona Mary, era impossível ela estar envolvida nisto e para além disso ela já estava, morta.
Tânia: Georgia, quando ouvires esta mensagem tenta vir o mais rapidamente possível para minha casa.
***
Georgia: Que se passa? Só consegui chegar agora…
Tânia: Alguém esteve em minha casa.
Georgia: Como assim?! A minha avó, quer dizer a Mary, está… (não conseguiu dizer a palavra, recuperou o folgo, conteve as lágrimas e continuou) e nós nem chegámos a saber se era ela que tinha a chave.
Tânia: Então temos de descobrir.
Georgia: Como?
Tânia: Voltamos lá!
Georgia: Oh não! Não, não! Nem penses!
Tânia: Oh Georgia, tem de ser. Vamos lá agora antes das raparigas chegarem, quando mais depressa resolvermos isto melhor!
Georgia: Não Tânia, esquece!
Tânia: Por favor Georgia. Não precisas de entrar… Eu compreendo que custe, mas por favor!
Georgia: Mas porquê agora?! Esperamos por elas…
Giovanna: Posso entrar?!
Tânia: Sim, estamos na sala mas já estamos de saída! (puxei a Georgia pelo um braço e dirigimo-nos até a porta de entrada onde a Giovanna esperava-nos com uma cara de confusa)
Giovanna: Saída? Mas pensei que era aqui que nos encontrávamos…
Tânia: E é, mas vamos a casa da Dona Mary.
Georgia: Oh Tânia, não!
Tânia: Não precisas de entrar…
Giovanna: (olhou para nós e tomou uma decisão, que nunca esperei que ela entrasse no “nosso filme” tão rapidamente) Se é para ir é agora! Daqui a pouco a mãe do Tom vem trazer a Carrie.
Tânia: Vamos!
Bati a porta da casa e confirmei várias vezes para ver se estava realmente bem fechada, depois batemos em conjunto as portas do carro e fomos a caminho da casa da Mary.
Tânia: Então Gio, que dizia a tua mensagem?
Giovanna: Dizia para eu não aceitar…
Georgia: Aceitar o quê?!
Tânia: O pedido de casamento do Tom…
Georgia: Ele já te pediu?
Giovanna: Não, mas eu encontrei o anel numa das gavetas dele.
Georgia: E porque é que eu não sabia de nada disso?
Giovanna: Desculpa Georgia, não em entendas mal, mas se tu já soubesses o Danny também e isto é uma surpresa.
Georgia: Mas a Tânia já sabia…
Tânia: Vais dar agora em ciumenta?!
Giovanna: Peço desculpa se eu agora ando mal disposta e sinto-me completamente sozinha porque não posso contar nada ao meu namorado e agora as minhas amigas não confiam em mim! (foi elevando o tom de voz para mostrar que estava revoltada)
Giovanna: Calma Georgia, nós sabemos que estás a passar um mau bocado, mas nós vamos tentar resolver isto o mais depressa possível e não tens de descarregar a tua raiva em nós.
Tânia: Vocês acham que se fossemos à polícia eles descobrem de quem é o número?
Giovanna: Não sei. Porquê?
Tânia: Porque eu hoje recebi uma chamado do “sem número” que devia ser o, ou a, tal SSS e, ninguém falou, mas apareceu uma gravação…
Georgia: Que gravação?
Tânia: Da vossa conversa antes da Sharon entrar naquela sala.
Georgia: Vocês acham que é ela que está por trás disto tudo?
Giovanna: Não digas isso! A Sharon pode ter muitos defeitos, mas matar ou ameaçar as amigas assim, não me parece!
Tânia: Mas neste momento só pode ser ela…
Giovanna: Como é que vocês são capazes de dizer isso?! Não sabemos nada dela desde essa noite, nem sabemos se está viva ou… Não sabemos nada, e pouco tentámos contactar com ela, e agora estão a acusá-la disto tudo?!
Tânia: Sim, tens razão… Mas quem poderá ser?! Só nós é que sabemos dessa noite e só a Sharon é que pode guardar rancores!
Giovanna: Por favor não vamos por essa hipótese.
Georgia: Chegámos. Eu fico aqui. Tentem não demorar.
Saímos do carro e começamo-nos a dirigir à porta das traseiras, a porta estava encostada, era sinal de que alguém entrou dentro da casa. Olhei para a Giovanna e apercebi-me que estava com medo, dei-lhe a minha mão para a aclamar.
Tânia: Deve ser a família dela…
Acabámos por entrar e rapidamente começámos a procurar nas gavetas mais óbvias para guardar chaves, no piso de baixo não estava nada. Resolvemos subir e começamos novamente a procurar. Ainda não tínhamos encontrado nada, faltava procurar no quarto da Dona Mary.
Olhamos uma para a outra, não parecia correto o que estávamos a fazer, mas era necessário fazer para que pudéssemos acabar com tudo de uma vez. Começamos a abrir a porta entreaberta e finalmente, quando estávamos dentro do quarto começamos a ouvir uns passos.
Tânia: Vem aí alguém! (tentei sussurrar entre o medo e a curiosidade de saber quem vinha lá)
Giovanna: Georgia, és tu?!
Parámos durante uns longos segundos e não voltámos a ouvir mais nada, admitimos para nós próprias que foram barulhos inventados pelo nosso medo. Continuamos a procurar e, à medida que abríamos as gavetas íamos fazendo cada vez mais barulho e ignoramos por completo os sons vindos da madeira.
Tânia: Encontrei!
Giovanna: Cuidado!
Tínhamos acabado de ser atingidas por algo que nos bateu na cabeça e deixou-nos inconscientes. Comecei a abrir os olhos com uma grande dificuldade, coloquei logo a mão na cabeça porque me doía bastante, assim que recuperei dei por mim deitada no chão com as mãos e os pés atados e com a boca tapada. Olhei em volta e vi duas pessoas de preto na ombreira da porta a falarem, quando me viram acordada uma delas dirigiu-se até mim, a outra foi-se embora.
Tânia: Quem és tu?! (tentei expressar-me o melhor que podia considerando a minha situação) O que queres de mim?!
Voltei a ter medo, muito medo, reconhecia aquela escala de medo, como no verão passado, tinha medo que me voltassem a fazer mal.
Tânia: Deixa-me ir… Por favor…
Olhava para a pessoa para ver se a reconhecia, com a aproximação reparei pela aparência física que era uma rapariga. Voltou a afastar-se para ir pegar algo, que provavelmente foi o mesmo que me bateu, a mim e a Giovanna.
Tânia: Não por favor!!
Estava com cada vez mais medo, só conseguia ouvir o meu coração a bater cada vez mais, à medida que se ia aproximando ia ficando sem esperanças e de um momento para o outro as lágrimas que escorriam pela cara secaram, era como se tivesse recuperado a vista, como se o mar de lágrimas que se tinha formado nos meus olhos secasse. Voltei a olhar para ela e vejo que não era um pau que trazia na mão, mas uma espécie de uma tesoura, quereria fazer-me mal ou ajudar-me, foi nesse momento, de perguntas indeterminadas e a surgirem na minha cabeça, que a sinto cair aos meus pés.
Tânia: Quem está aí?
Georgia: Sou eu.
Tânia: Georgia?! Solta-me!
Georgia: Quem é?! O que aconteceu?!
Tânia: Não sei. Vai soltando a Gio.
Georgia: Gio, acorda! Acorda!
Giovanna: Ah, a minha cabeça! Que se passou?
Georgia: Anda levanta-te, acho que encontramos quem nos anda a ameaçar.
Juntámo-nos todas em volta do corpo estendido no cão, com um movimento leve do meu pé, girei o corpo para que pudéssemos ver quem era. Ficámos sem palavras quando a luz do luar entrou pela pequena ranhura da janela e focou a cara da pessoa.
Giovanna: Não é possível…
Tânia *

quarta-feira, 8 de agosto de 2012

Capítulo 3


III
3 de março de 2011 (parte 1)

Não tinha dormido nada e isso notava-se na minha cara quando olhei pela primeira vez ao espelho. Não me saída da cabeça o corpo da Mary estendido no chão, não conseguia perceber como é que existia pessoas capazes de tirar a vida a uma outra pessoa.
Ainda não tinha dito nada à minha mãe, estava na altura de lhe contar, peguei no telemóvel e acabei por esquecer o medo que no dia anterior sentia em relação aquela caixa mágica.
Lurdes: “Sim?!”
Tânia: Olá mãe!
Lurdes: “Olá filha! Como estás?”
Tânia: Não muito bem…
Lurdes: “Então, que se passa?”
Tânia: A Dona Mary morreu mão… (um soluço inesperado fugiu da minha boca o que facilitou mais um lágrima cair dos meus olhos)
Lurdes: “O quê?! Como assim??”
Sentia a voz da minha mãe nervosa, como se quisesse também chorar.
Tânia: Ontem fui lá a casa para falar com ela e encontrei-a morta…
Lurdes: “O que terá acontecido? Chamas-te a polícia certo?”
Fiquei paralisada com o auscultador do telemóvel colado ao ouvido, não se ouvia um único ruido de ambos os lados.
Lurdes: “Filha, acho que a chamada está a cair. Sabes o que lhe aconteceu? Falas-te com a polícia?”
Lembrei-me de como fomos estúpidas em não ter-mos chamado a polícia e a ter-mos deixado lá, estendida no chão e, a única coisa que fizemos fui chamar a vizinha. A única maneira para não assustar a minha mãe era mentir. Engoli em seco e comecei a inventar uma desculpa que, de agora para a frente, teria de ser a desculpa para todas as perguntas ás quais não tínhamos resposta.
Tânia: Sim. Disseram que teve um enfarte.
Lurdes: “Um enfarte?! Mas a Mary não era assim tão velha.”
Tânia: Pois não. Disseram que é raro mas é possível.
Lurdes: “Oh coitada! Nem sei o que dizer. Se calhar é melhor mandar algumas flores para a morada dela, a família já deve estar a tratar das coisas.”
Tânia: NÃO!
Lurdes: “Não?!”
Tânia: Não, mandas para mim que eu depois passo por lá. Vou tomar um duche que vou tomar o pequeno-almoço com a Georgia e com o Danny. Beijinhos pata todos!
Lurdes: “Vai lá. Beijinhos também aí para a malta!”
Já estava a começar a onde de mentiras, uma onda que não iria rebentar tão cedo.
***
Tânia: Bom dia meninos!
Cheguei ao café, pousei o telemóvel e a carteira sobre as revistas da Georgia e sentei-me junto deles dando-lhes um beijo rápido.
Tânia: Antes de começar, a minha mãe manda beijinhos.
Danny: Como está a tua mãe?
Tânia: Com saudades.
Enquanto chegavam os nossos cafés, o meu telemóvel vibrou, todos nós na mesa sentimos o seu tremelicar sobre as revistas, mas não tive coragem de lhe pegar e ignorei.
Danny: Então priminha?! Quem é ele?
Olhei para o telemóvel e olhei para a Georgia, esta retribuiu-me o olhar.
Tânia: Deve ser a minha mãe…
Georgia: Então é melhor veres…
Peguei no telemóvel a medo, passei o dedo no ecrã e abri a mensagem.
DE: Giovanna
MENSAGEM: “Também recebi uma mensagem, não tinha número e estava assinada como “-SSS”. Precisamos de resolver isto RÁPIDO! Logo falamos.”

Tânia: Era a Gio…
Georgia: O que é que ela queria?
Tânia: Saber se aquilo para logo ainda estava de pé. (inventei rapidamente)
Danny: O que é que há logo?
Georgia: A festa de boas vindas para a Tânia! (inventou também)
Danny: Ah e quando é que me ias contar menina Tânia?!
Fiquei de boca aberta a olhar para ele, era péssima a mentir e não me surgia nada à cabeça, só uns movimentos de cabeça e um revirar de olhos.
Georgia: É só para raparigas, e para além disso tens que acordar muito cedo no outro dia.
Danny: Oh, mas eu aguento…
Tânia: Priminho! Um conselho, não te queiras meter numa festa de raparigas!
Danny: Quem vai?
Tânia: Eu, a Georgia, a Gio, a Carrie, a Izzy e a tua irmã.
Danny: Isso, vão se lá divertir enquanto eu e os rapazes trabalhamos.
Georgia: Oh coitadinho… (aproximou-se dele e deu-lhe um grande beijo carinhoso nos lábios)
Tânia: Mas por falar em rapazes, quando é que vão buscar o Dougie?
Harry: Em princípio segunda-feira, 14 de março.
O Harry tinha acabado de chegar, estava cada vez melhor, mas vinha bem acompanhado com a Izzy. Rapidamente levantei-me da cadeira para os cumprimentar.
Tânia: Harry! Como é que estás??
Harry: Éh linda! Estou ótimo e tu?
Tânia: Eu também! (deixei-o e dirigi-me à namorada) Izzy! Então linda, como estás??
Izzy: Estou boa e tu?
Tânia: Melhor agora, tinha muitas saudades de vocês todos!
Izzy: Eu também!
Tânia: Logo vais dormir a minha casa!
Harry: Como é que é?
Tânia: Ela logo vai dormir a minha casa…
Harry: Ainda agora chegas-te e já a estás a levar para maus caminhos?
Tânia: Eu?! Deixa-te de coisas namorado galinha!
Izzy: Namorado “galinha”?!
Tânia: Sim, é um namorado controlador.
Georgia: E porque galinha?! As galinhas são controladoras?!
Tânia: Olha, esqueças. Era que eu costumava dizer em Portugal.
Harry: Ah bom! Pensava que era parecido com uma galinha. (com um movimento brusco dos braços, imitou uma galinha)
Lançamos todos uma boa gargalhada – até mesmo a Georgia que não tinha disposição para nada - ao ver o Harry a fazer as suas figurinhas, normalmente é o Dougie, mas como ele não está cá, alguém tem de fazer o seu papel.
Izzy: Então, encontramo-nos logo em tua casa?
Tânia: Sim.
Georgia: Então, eu depois vou lá ter à noite.
Tânia: Sim. Apareçam quando quiserem. Agora vou dar uma vista de olhos pelo jornal para ver se há algum emprego de jeito.
Despedimo-nos e cada um seguiu o seu caminho. Peguei num jornal e fui para a esplanada onde o pouco sol da manha batia nas cadeiras de plástico.
Estar naquela cadeira, naquela mesa fazia-me lembrar os tempos em que eu e a Giovanna íamos olhar para os empregados agora já não tinha paciência para isso, nem pensar nisso, mas talvez fosse isso que me fizesse bem, para me distrair e tirar tudo da minha cabeça.
Empregado: Precisas de mais alguma coisa?
Tânia: (olhei para o pequeno crachá com as letras gravadas que ditavam o seu nome) Não, obrigada Dean.
Dean: Parece que já sabes o meu nome.
Tânia: Tens cara de Dean, sabes.
Dean: Ah claro! Tu tens cara de Sarah ou Sandra…
Tânia: Não, esquece. Nunca vais adivinhar!
Dean: Não, tens a certeza?!
Tânia: Sim! Acredita, podes desistir.
Dean: Pronto ok…
Olhei para a sua cara de desiludido, não tive coragem de o deixar assim sem mais nenhuma pergunta ou resposta.
Tânia: É um nome português, tem pronúncia portuguesa, mas também podes dize-lo em inglês mas é diferente.
Dean: Português?! Ok desisto!
Tânia: Estás a ver?! É Tânia.
Dean: Como?! Tânia?!
Foi engraçado ver as articulações da sua boca a lançarem o meu nome repetidamente pela espanada.
Dono do café: Dean, há mais clientes!
O Dean olhou para trás de onde a voz grossa do homem vinha e depois voltou a olhar para mim com um olhar envergonhado, elevou as sobrancelhas como se quisesse pedir desculpa.
Dean: Bom, se não precisas de mais nada…
Tânia: Não obrigada.
Foi-se afastando de mim e fiquei novamente sozinha. Enquanto circulava, com um marcador verde, os anúncios que me interessavam, recebi uma mensagem. Por momentos deixei de lado o medo do telemóvel e rapidamente o peguei, mas ao aproximar o dedo do ícone das mensagens, deparei-me com a forte possibilidade de estar a receber uma mensagem do, ou da, “SSS”.
DE: sem número
MENSAGEM: “Eu sei dos teus planos para hoje à noite! Posso aparecer? –SSS”

As minhas mãos começaram a tremer, senti a temperatura do meu corpo a diminuir e a expressão da minha cara entristeceu de tal maneira que o Dean, muito educadamente, voltou a aproximar-se de mim para perguntar de estava tudo bem.
Dean: Estás bem?
Tânia: Sim. Só recebi uma notícia que não estava à espera. Tenho de ir.
Sai a correr do café e deixei o pobre rapaz sozinho, sem resposta à pergunta inofensivamente simpática.
Sentei-me no carro e peguei no telemóvel para ligar a alguém, mas sentia que não confiava em ninguém, o que era estupido porque tinha de confiar nas raparigas, porque tanto elas como eu estávamos a ser ameaças. Estava a olhar para os números delas, sem saber a quem ligar, estava à espera de uma coragem repentina para carregar no botão verde e desabafar com uma delas. O tempo passava e não conseguia desenterrar essa coragem, mas alguém teve essa coragem porque comecei a sentir o telemóvel a vibrar nas minhas mãos, estava naquele momento a receber uma chamado de: “sem número”!
Carregar na tal tecla verde, atender aquela chamada e dizer alguma coisa podia mudar tudo. Saber quem estava do outro lado do telemóvel, ouvir a voz dessa pessoas e saber o porquê de tudo, era o nosso objetivo, mas o medo interrompia todos os movimentos que pretendia fazer. Respirei fundo algumas vezes e quando dei por mim tinha o telemóvel encostado ao meu ouvido.
Tânia: Estou?!
Tânia *